Câmara dos Deputados garante que loucura não será motivo para inelegibilidade em 2022

Dispositivo foi incluído no projeto que institui o novo Código Eleitoral e que, se aprovado a tempo, valerá para eleições de 2022.

Imagem: Blog do Briguilino / Blogspot.

Um dispositivo pra lá de inusitado foi incluído no projeto de lei que institui o novo Código Eleitoral.

É a previsão de que a eventual insanidade mental do candidato em nenhuma hipótese levará a inelegibilidade. Mesmo que o cidadão tenha sido interditado para a vida civil, esteja inimputável e não possa, por exemplo, comprar um apartamento ou dirigir um carro.

É o marco eleitoral da insanidade.

Há quem possa pensar que o dispositivo foi escrito especialmente para o presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro acusa STF de ser tribunal político

Em seu pedido de impeachment do Ministro do Supremo Tribunal Feeral – STF Alexandre de Moraes, o Presidente Jair Bolsonaro destaca a atuação política do STF.

“Não critico essa nova realidade, também presente em outros países. O que quero destacar é que, com esse novo perfil, o Judiciário torna-se um verdadeiro ator político e, justamente por isso, deve estar pronto para tolerar o escrutínio público e a crítica política, ainda que severa e dura.”

Ao trazer o STF para o campo político, Bolsonaro invoca a jurisprudência dominante na Justiça Brasileira, no sentido de que pessoas públicas, incluindo os políticos em geral, por se submeterem ao debate público, tem a proteção de sua honra diminuída. O quê também deve se aplicar, no entendimento do Presidente, aos Ministros do STF, por sua atuação política.

“Ora, por que parlamentares e integrantes do Executivo devem tolerar a crítica pública, ínsita à liberdade de expressão, e os membros do Poder Judiciário não? O que os distingue dos demais atores políticos?”

É evidente a atuação política do STF e do Supremo Tribunal Eleitoral (no caso do voto impresso).

O problema, no caso do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, está no currículo dos envolvidos.

Entre o ministro Alexandre de Moraes e o deputado Daniel Silveira e ex-Deputados Roberto Jefferson e Sérgio Reis, é muito difícil ficar a favor do deputado e ex-deputados e contra o Ministro.

Bateu o desespero

A live semanal do Presidente da República no Youtube revela o tamanho do desespero presidencial com a volta do ex-presidente barbudo, líder nas pesquisas de intenção de votos.

Em vez de anunciar medidas para recuperar o poder de compra da população, que já se encontra reduzido drasticamente durante seu mandato, o Presidente insiste em paranoias alheias a realidade.

Faltam projetos para o País e sobram “urnas fraudadas”.

O mundo imaginário em que o Presidente vive termina na realidade que o povo encontra no caixa do supermercado.

Entre Moro e Bolsonaro: eleição será decidida entre um radical e um ex-juiz

Se levarmos em consideração o resultado da última pesquisa realizada pelo Paraná Pesquisa e publicada pela Revista Veja nessa última sexta-feira (24), as eleições de 2022 serão decididas entre Sérgio Moro e Jair Bolsonaro.

Vontade para concorrer à reeleição é o que não falta para o atual Presidente Jair Bolsonaro.

Em uma conversa com apoiadores em maio, o atual presidente disse que só sairia em 2027, levando como certa sua reeleição em 2022.

Sérgio Moro, por outro lado, afirma e reafirma estar fora das eleições de 2022.

A afirmação é estratégica. Sergio Moro que a politização do judiciário é capaz de retira-lo das eleições e não quer correr o risco de ser tirado na marra da corrida presidencial.

Sem cargo e sem participação no governo, a tendência é a desidratação progressiva do ex-juiz. Que ainda corre o risco de ser atingido pelas investigações da PGR sobre os acordo ilegais da Lava-Jato com o FBI.

Dada a evolução natural do cenário político nacional e sem fatos novos que possam mudar o curso da política no Brasil, a reeleição do Presidente Jair Bolsonaro é praticamente certa em 2022.

Originally published at https://marcelkroetz.com.br on July 26, 2020.