Os jogadores, a plateia e o Juiz

Já faz tempo que na pelada carioca as coisas andam mais pra lá do que pra cá, mais ou menos como aconteceu com a pelada no Paraná.

Certa vez um time desses de funcionários de uma empresa chamada Moveis Pietruzini – MP, abandonou o nome do empregador e adotou o nome do lava jato, aonde onde deixavam seus carros para ir jogar no campinho de grama sintética com vista para o mar.

Foram os holofotes do campinho que deslumbraram os funcionários da MP.

O Juiz, diante de tamanho brilho, decidiu que a roupa preta já não lhe agradava mais. Chamou de lado os jogadores e decidiu combinar alguns gols. Queria um verdadeiro espetáculo, nada como um ordinário 0x0 ou um triste 1×1.

– “Joga adiantado que eu não marco o impedimento”, disse o Juiz a um dos jogadores da MP.

Não era o tipo de coisa que se diria em voz alta. Mas é o tipo de coisa que ninguém escutaria se fosse combinada do jeito certo, por mensagens do Telegram.

Houve os que concordaram porque achavam muita filigrana essa regra do impedimento no Futebol. Mas houve os que acharam meio estranho e lembraram que, se fossem contra, nunca mais seriam chamados para o time do lava jato dos funcionários da empresa MP.

Foi assim que naquele dia surgiu o primeiro gol. O Juiz sabia que o quê estava fazendo não era exatamente um jogo de Futebol. Mas sabia também que no final o jogo é pra a plateia e que o que todo mundo quer mesmo é ver o gol e foi assism que o jogo continuou.

2×0. 3×0. 4×0.

Até que os jogadores do time adversário, o dos funcionários de um escritório de advocacia que ficava ao lado da empresa de móveis, perdeu o ânimo.

Já não tinha mais aquele mesmo entusiasmo do início da partida, sentia que as regras que conheciam do Futebol já não se aplicavam mais.

Foi então que o Juiz percebeu o que estava acontecendo. Que aquele jogo de gols combinados já não agrava mais.

Chamou então o capitão do time dos advogados e pediu que combinasse com o goleiro para que o jogo não terminasse assim.

– “4×0 vai ser muito ruim para vocês” – disse o Juiz.

– “Mas vamos combinar assim: vocês jogam bonito como se o jogo não fosse combinado. Não é como se eu fosse deixar passar uns 49×0 em vocês. Mas preciso que vocês deixem passar pelo manos mais 3 gols.” – completou.

– “Em troca, deixo passar um gol de vocês para vocês terem pelo menos um gol.” – concluiu.

Os jogadores do time dos Advogados sabiam que era isso ou ter todos seus gols anulados pelo Juiz. A final, não existe jogo limpo quando um dos jogadores é o Juiz.

Aceitaram o combinado infame e foi assim que naquele dia que tudo aconteceu.

A plateia vibrou, a imprensa noticiou e muita gente sorriu.

Foi o dia que o Juiz brilhou, esqueceu a roupa preta e fez história. Foi o dia em que o Juiz combinou o resultado da partida e fez a plateia vibrar com o 7×1 do time com o nome do lava jato dos funcionários da MP.

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