Luciano Hang, o maior erro da CPI da Covid

Empresário dominou comissão, mostrou preparo e ganhou mais do que perdeu na CPI

Luciano Hang. Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado.

Logo na abertura da reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI, em que o empresário e dono das lojas Havan foi convocado para depor falsamente na condição de testemunha, era evidente a “arapuca” armada pela CPI. Chamuscar a imagem do empresário acusado de financiar o odioso esquema de Fake News a favor do chamado tratamento precoce. Um coquetel toxico de medicamentos sem eficácia contra a COVID.

Era essa a intenção, mas não foi esse o resultado obtido pela Comissão.

Luciano Hang aproveitou muito bem os 15 minutos iniciais e abriu seu depoimento com uma propaganda de sua rede de lojas, a Havan. Enalteceu seus colaboradores e mostrou um preparo que nenhum outro depoente havia mostrado na CPI.

A peripécia de quem havia sido chamado de bobo da corte pelo relator antes do início da reunião serviu ao propósito e interditou o debate, levando à suspensão da CPI.

Embora no momento da propaganda mais de 100 mil espectadores aguardavam ansiosos as respostas de Luciano Hang, a suspensão do depoimento derrubou o número de expectadores abaixo dos 40 mil.

Calmo e paciente, Hang espichou a corda o quanto pode e testou cada tentativa de limite imposto pelos senadores que conduziam a CPI.

Chamou os senadores pelo nome, sem os floreios próprios do cargo que ocupam. Não aceitou cerceamentos de sua defesa nem condução de suas respostas.

Hang foi milimetricamente preciso em suas respostas e mostrou claramente que os Senadores estavam mais preocupados em ouvir o som das próprias perguntas do que o som das respostas que não queriam ouvir.

Luciano Hang saiu chamuscado, mas saiu menos chamuscado do que os integrantes da CPI.

Luciano Hang enriqueceu com dinheiro público nos governos do PT

Todos já ouvimos a história do empresário de sucesso que começou baixo e com muito esforço e dedicação criou se próprio império industrial. Mas essa não é a história do empresário Luciano Hang.

Dono de uma das maiores redes varejistas do Brasil, Luciano Hang começou baixo, aos 17 anos, na mesma fábrica de tecidos em que os pais eram operários.

Aos 21, comprou uma pequena empresa atacadista de tecidos e entrou no mundo dos negócios, com a meta de prosperar custasse o que custar.

Nos anos 1993 e 1997, com muito dinheiro público e ajuda estatal, Hang abriu sua segunda loja que hoje forma a rede varejista Havan.

Entre 1993 e 2014, Hang recebeu e utilizou o equivalente à R$ 72 milhões atualizados pelo IPCA. Distribuídos em um total de 55 empréstimo dos quais, alguns, com juros menores do que a metade do valor da inflação.

Como os empréstimo contratado em abril de 2008, com juros de 3,7% a.a., no segundo mandado do ex-presidente Lula, e outubro de 2011, com juros de e 3,11% a.a., no primeiro mandato da ex-presidente Dilma Roussef.

Foi esse o segredo escondido do empresário descoberto pelo site Metropoles através de pedidos realizados por meio da Lei de Acesso à Informação.

É apenas com muito dinheiro público e ajuda dos Governo Lula e Dilma que Luciano Hang fez sua fortuna no Brasil.

Na caixa preta do BNDES estava Luciano Hang.

Originally published at https://marcelkroetz.com.br on July 27, 2020.